Uma Alma Aprisionada
Na imensidão daquela estrada, pensei em alguém. Ouvindo uma música com um toque de saudade, eu chorei e com a visão embasada pelo existir das lágrimas, firmei o volante. A chuva era tanta que eu me pegava confusa, no meio do nada. Os trovões, os faróis dos carros que vinham na direção contrária e as gotas d`água que explodiam no para-brisas, me desconcentravam, mas um rosto não me saia da mente, então, desejei ser transportada para um mundo, onde as mágoas se transforassem em rosas vermelhas e a decepção em beija-flores coloridos... Eu sempre imaginei que com o tempo a saudade fosse se extinguindo, mas, novamente eu me enganei. A saudade hoje, me faz refletir sobre as oportunidades que joguei fora... Me faz pensar nas vezes que meu orgulho não me deixou fazer o que meu coração mandava, porém, alegro-me pelas poucas vezes que tive coragem de enfrentar o mundo, apenas para ter algumas horas de felicidade. Um vacilo fez com que o carro saísse da pista e depois que passou o susto, meu choro se intensificou. Comecei a imaginar como somos frágeis... seres mortais e provisórios, que em questão de segundos, podem deixar este mundo. Mesmo com tudo isso na mente e com o coração apertado, eu precisava voltar a acelerar... Eu não podia parar... Ter mais uma vez a morte ao lado, me fez refletir. Um ponto de interrogação, enorme se posicionou dentro de mim. "E se eu tivesse morrido?" Não existe resposta para essa pergunta e nunca existirá, pois a pergunta não é essa... A pergunta é: "Será que quando eu morrer, eu terei realizado os meus sonhos, que, dia após dia eu deixo pra amanhã? ". Preciso rever tudo e fazer o que meu coração está implorando que eu faça, pois um dia, será tarde demais... Não consigo fazer isso... eu já não sei se vale a pena ouvir meu coração, ele já errou tanto, ou não? Talvez minha mente me cegue tanto que eu não consigo ver o óbvio e sendo assim, eu me mantenho imóvel diante dos fatos, diante das pessoas e diante de mim mesma. Eu poderia agora, fazer o que acho que não devo, pois meu coração está mandando. Eu poderia também, acessar minha alma, para tentar assim, encontrar a resposta, mas esse ato implicaria em libertá-la e isso já não é possível, pelo menos não hoje, pois uma alma livre, é capaz de fazer o maior estrago dentro de uma pessoa... Quando se liberta a alma, não é preciso ouvir o coração, ou a razão, basta se deixar guiar, pois a alma é pura e sem rótulos. A alma não tem personalidade e nem deve satisfação para essa mente cheia de convenções que guia o corpo e rege as atitudes de cada ser. O problema de libertar minha alma é que ela sabe para onde me levar e o que é certo fazer, mas o medo de errar novamente me faz mantê-la aprisionada e em um estado de total hibernação. Hoje minha alma não vê, não ouve, não sorri, não chora... ou seja, hoje minha alma não vive, apenas existe.
Silvana Hennicka!!
Profundo...
ResponderExcluirÉ minha alma falando...
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