Há algum tempo venho me perguntando para que serve o Outubro
Rosa? Para quê foi escolhido um mês onde o câncer de mama se torna mais
evidente? Será que é para trocar a capa do facebook ou deixar mais femininos os
ambientes relacionados à área da saúde? Até mesmo as empresas prestam sua “solidariedade”,
distribuindo chocolate e lembrancinhas. Eu já tive câncer de mama e deveria ser
a primeira pessoa a participar dessa movimentação que aborda um tema tão importante,
mas não consigo compreender onde está o alerta relacionado à prevenção. Será
que não acreditamos mais que podemos evitar a doença? Não consigo entender onde
está a relação entre os eventos que se realizam no mês de outubro e a prevenção.
Uma das campanhas que se faz no mês de outubro, além de destacar a cor rosa, é
evidenciar que o câncer de mama pode aparecer a qualquer momento na vida de
qualquer mulher, não importa a idade e que para termos um tratamento mais
eficaz, precisamos de um diagnóstico precoce, mas se eu pudesse escolher, preferia
não ter tido a doença.Tudo bem até aí, mas então, esse mês serve apenas pra
mostrar que precisamos conhecer nosso corpo e continuar aguardando a doença
aparecer um dia, sim, porque sempre que se faz exames, estamos procurando algo,
ou seja, estamos induzindo nosso corpo a criar uma coisa ruim, já que somos o
que pensamos. Não estou aqui falando que sou contra exames, mas no meu caso,
nem o oncologista nem os exames acusaram um carcinoma no meu seio, o que me fez
ir atrás de um diagnóstico mais específico, foi o meu “eu” interior, que me
dizia o tempo todo que algo de errado estava acontecendo. Aquela voz me
atormentou tanto, que eu decidi ouvi-la, como faço até hoje, então amadas
mulheres, por que ao invés de sair participando de corridas de rua em prol da
conscientização pela descoberta precoce do câncer de mama, vocês não começam a
prestar atenção no que estão comendo? Por que ao invés de esperar o mês de
outubro chegar, vocês não começam a se amar o ano inteiro. Que me perdoem aqui
os seguidores do tal diagnóstico precoce da doença, até mesmo porque foi isso
que me salvou, ou não, mas de nada adiantaria eu ter feito 8 sessões de
quimioterapia e mais 33 radioterapias se eu não tivesse mudado a minha maneira
de pensar. Tudo tem uma causa específica e se hoje eu fosse a mesma mulher
ignorante e infeliz que eu era na época que descobri esse vulcão dentro de mim,
prestes a entrar em erupção, a doença já teria voltado. A cura nem sempre é um
medicamento e se podemos não ter a doença, é muito melhor do que termos e
depois quereremos nos livrar dela. Eu queria criar um mês, onde pudéssemos trocar
experiências de vida e que nutricionistas e médicos com bom senso, nos
ensinassem como evitar a doença, mas isso é complicado, pois no mundo da “máfia”
farmacêutica, onde uma aplicação de determinada quimioterapia pode ultrapassar
os 100 mil reais, o dinheiro fala mais alto. Por que eu nunca vi no mês de outubro
um outdoor falando que o câncer de mama está diretamente relacionado com o
consumo de leite e açúcar refinado? (isso tudo tem comprovação científica, mas
a prevenção não dá lucro) Por que eu nunca vi panfletos dizendo que o leite não
previne a osteoporose e que na verdade ajuda a desencadear a doença? De que adiante
ter um mês de conscientização para uma coisa que todos sabem que existe? De que
adianta falar em mamografia, se enquanto a doença aparece em mulheres cada vez
mais jovens, o exame gratuito só é feito em mulheres acima dos 50 anos. A realidade é que muita gente fica rica com o
aparecimento das doenças, ou então haveriam mais campanhas relacionadas à prevenção
e não ao diagnóstico precoce. Nós somos sim ignorantes perante tantos alimentos
geneticamente modificados, como o nosso trigo de cada dia, que hoje contém 40
vezes mais glúten do que o trigo que a minha avó utilizava para fazer o pão que
alimentava a sua família. Não estou aqui falando sobre alimentação ou sobre o
lixo que as pessoas ingerem todos os dias, mas sim sobre o câncer de mama e do
porquê não usamos o mês de outubro para ajudar as mulheres a serem mais felizes
e assim, evitar uma doença que além de estar relacionada à alimentação, está
também relacionada com a infelicidade e a tristeza. Ser feliz não significa ter
uma linda família, um marido carinhoso, uma bela casa e viajar nas férias. Você
sabe que é feliz quando não possui nada disso e sente que não lhe falta nada,
que você é completa de você mesma e que sozinha, poderia ser tudo o que
quisesse. O câncer está em parte ligado ao medo do futuro, o medo de ficar
sozinha, de não conseguir ser aquilo que a sociedade espera. Quantas mulheres
estão presas a casamentos infelizes, como era o meu caso, e que arrastam isso
até o ponto de virar uma doença, pois não tem coragem de andar com as próprias
pernas? Tudo o que parece difícil pode se tornar insuportável. Vamos nos unir e
transformar o Outubro Rosa em algo muito além de um alerta. Vamos usar esse mês
para nos libertarmos de tudo o que nos é imposto e que não nos faz bem. É uma
pena já estarmos em novembro para jogar fora todo o lixo que chamamos de
alimento e que está em nossa geladeira e armários e começar a mudar os nossos hábitos,
mas quem foi que disse que precisamos de um mês pra isso, precisamos apenas de atitude
e informação. Conhecer a si mesma, não é só pra descobrir um caroço no seio, se
conhecer serve também para você prestar atenção se o que você come lhe faz bem
ou não. Em relação à informação, quem tem acesso a internet tem acesso a isso
basta fazer a pergunta que o Google ou o Youtube respondem. Sugiro aqui que as
mulheres preocupadas em não ter câncer de mama, se informem sobre o leite, o açúcar,
o amor próprio e suas relações com a doença. Desculpem o desabafo, mas não
consigo mais ficar alheia a tanta coisa errada que vivenciamos todos os dias.
_ Silvana Hennicka
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