Carla era uma bela mulher. Estudante do terceiro ano de
arquitetura e vários projetos a executar. Com cabelos loiros, corpo de bailarina
e um sorriso inocente, Carla, aos 23 anos, ainda era virgem, mesmo nos dias de
hoje, onde meninas de 15 anos já são mães. Carla sonhava em se entregar a um
homem especial. Ela não queria só uma noite de sexo, ela idealizava algo a mais,
uma família talvez. O sonho de Carla virou realidade quando ela conheceu Mauro,
um homem vinte e dois anos mais velho, mas que fazia Carla se sentir uma
princesa e ela soube que, a tão sonhada hora havia chegado. Não vou me prender
aqui, às famílias de cada um dos lados, mas posso dizer que Mauro estava
vivendo um momento de tristeza, pois havia perdido seu único filho e terminado
um relacionamento de sete anos com outra mulher, também mais nova do que ele.
Talvez a carência misturada com a tristeza pela sua perda fizeram com que Mauro
também se entregasse a Carla e os dois decidiram viver aquela paixão. Tudo isso
não teria nada de mais, seria uma história de amor comum, se não
fosse pelo fato de que Carla engravidou na segunda vez que se entregou a Mauro.
Com toda a inexperiência que cerca uma mulher ingênua, ela viu seu lindo futuro
virar fumaça e pra piorar o seu tormento, aos três meses de gravidez, ela
descobriu que a ex-namorada do seu, agora marido, também estava grávida de um
mês e que o filho era dele. O sofrimento de ter que conviver com outra
barriga crescendo no mesmo tempo que a sua, levaram Carla ao desespero e ela
passou em torno de sete meses internada, pois a tristeza tornou-se uma
companheira e ela já não queria mais viver. Mauro continuou com Carla, pois em
nome do amor que sentia, ela o perdoou e dois meses após nascer Felipe, Mauro
precisou se ausentar para acompanhar o parto do seu outro filho, que segundo
ele, foi fruto de uma única noite, uma recaída e Carla fingia acreditar. A dor
maior dela foi por ter que ouvir o homem que ela amava dizendo que a outra era
gostosa e que a experiência que faltava para Carla, ela tinha de sobra e que
sendo assim, ele não conseguiu resistir. Carla sofria em silêncio. Ela sofria
pela interrupção dos seus sonhos, pelo filho que chorava dia e noite, pela
falta de prazer que sentia por ainda não conhecer seu próprio corpo, por não
ter aproveitado a sua vida sexual antes de ser mãe, mas principalmente, por
saber que Mauro não lhe pertencia. O que Carla idealizou, nunca seria real, pois
ela teria que conviver para sempre com o fantasma da traição e a dúvida sobre
quem era o seu marido. Mauro era um homem bem sucedido e influente e se usando
disso, conseguiu um bom emprego para Carla, pois assim, ela iria se sentir
melhor e de certa forma, foi isso que aconteceu. Mas as coisas ficaram pior
quando, após, mais uma discussão, Carla foi pra casa de sua mãe e levou suas
coisas, talvez ela esperasse que Mauro implorasse pra que ela voltasse, mas ao
invés disso, ele foi embora pra outro estado e no momento que Carla voltou para
o lugar que pensava ser seu lar, seu castelo terminou de desmoronar ao perceber
que ele a havia deixado de vez. Ela ficou muito bem amparada com casa própria,
um bom emprego e uma gorda pensão pra Felipe, mas ela não queria o que o
dinheiro pudesse compra, Carla queria só queria o seu amor, o seu homem, o pai
do seu filho, uma coisa, que na cabeça dela, era simples. Ela queria sua
família unida e então, resolveu perdoa-lo e por amor, viver uma "meia" vida, se
conformar com as migalhas de uma felicidade que ela nunca sentiu de verdade,
mas que era o suficiente para alimentar sua alma e diminuir sua dor. Hoje
Felipe já completou um ano de idade e Carla continua com Mauro, mesmo ouvindo
todos os dias seu coração lhe dizer que ele está com a outra. Mauro nunca falou
a Carla que a amava e pra ela isso não tem importância, pois seu amor é o
suficiente para os dois, então tudo bem. Eu me pergunto como ela pode amar ele
mais do que a si mesma, mas no fundo não a critico, pois eu mesma, já me anulei
por pensar que amava alguém que só me maltratava, mas no caso de Carla, Mauro
não finge amá-la e tenho certeza que um dia ela vai acordar e perceber que nunca
valeu à pena. Que minutos de alegria, não apagam dias de sofrimento.
- Silvana Hennicka
- Silvana Hennicka
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